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Dez 08
Nota: Crítica publicada no Red Carpet. Revista e Forúm.
 
Ao olhar para “As Crónicas de Spiderwick”, muita gente pode pensar: “mais um filme de fantasia, que chatice, já começo a ficar farto”. Compreendo perfeitamente esta opinião. Desde que “O Senhor do Anéis”, a obra-prima de fantasia, viu a luz do dia que, todos os anos, somos bombardeados com filmes que tentam apanhar a onda de sucesso, que ainda se faz sentir, da trilogia dos anéis. É verdade que muitos desses filmes nem sequer merecem ser mencionados no mesmo texto que a obra baseada no universo criado por Tolkien, mas também não é menos verdade que nem todos os filmes de fantasia posteriores ao “Regresso do Rei” são maus. Muitos desses filmes conseguem ter uma “vida própria”, estando “As Crónicas de Spiderwick” incluído nesse grupo.

“As Crónicas de Spiderwick” é baseado numa série de livros (no primeiro, para ser mais específico) para crianças, escritos por Tony DiTerlizzi e Holly Black. Esta é uma história de fantasia e aventura que envolve uma mãe (Mary-Louise Parker) divorciada e os seus três filhos – dois rapazes gémeos (interpretados por Freddie Highmore), e a sua irmã (Sarah Bolger) mais velha. Os quatro acabam de se mudar para uma casa no campo, herdada de uma tia por Helen (a mãe). Ao chegar à casa, Jared, um dos irmãos, descobre um livro que se revela um Guia de Campo para um mundo fantástico. Aos poucos, Jared começa a compreender o poder deste livro e acaba por descobrir que existe um ente maligno interessado nele.

É com esta premissa que a história do filme se vai desenvolvendo. Sem ser nada extraordinária, a história vai conseguindo cativar-nos com alguns momentos divertidos e de acção. Ao início parece que este é um filme bastante infantil, mas com o desenrolar da narrativa vão aparecendo alguns momentos que não são aconselháveis a crianças mais novas e sensíveis. Existem partes que, para uma criança, até podem ser considerados de terror (na sessão de cinema a que assisti, alguns pais decidiram sair da sala com os seus filhos). Para além disso, este é um filme que não se restringe apenas a oferecer-nos fantasia, tenta também dar-nos uma lição de moral, retratando muito bem alguns conflitos familiares e sua subsequente resolução.

Em termos meramente técnicos, não existe nada a apontar. Este tipo de filme exige sempre efeitos especiais que tornem um mundo imaginado, cheio de criaturas e paisagens fantásticos, o mais real possível, de modo a tornar-se credível, e este filme cumpre bastante bem esse aspecto. Mark Water, o realizador, faz assim um trabalho que apesar de não deslumbrar, satisfaz.

Os actores que intervêm nesta película exercem todos de forma razoável o papel que desempenham. Um nota para Freddie Highmore, o jovem que interpreta o papel dos dois irmãos gémeos, um actor que parece ter a estrelinha da sorte do seu lado. Depois do excelente papel que desempenhou em “À Procura da Terra do Nunca”, em 2004, Highmore tem vindo a entrar em filmes bastante conhecidos como “Charlie e a Fábrica de Chocolate” (2005) e “August Rush - O Som do Coração” (2007). É, sem dúvida, um jovem actor a ter em conta no futuro.

Tenho que acrescentar um aspecto que considero importante, vi o filme rodeado de crianças e dos seus pais. Sei que não devemos julgar algo pela opinião dos outros, mas a verdade é que estive atento á reacção, da maioria das crianças, ao filme e constatei que estavam todas bastante empolgadas com o que estavam a ver. Visto que elas são o público-alvo, este é um filme, que se pode considerar, bem sucedido. Para acabar, pode afirmar-se que “As Crónicas de Spiderwick” é um filme divertido, que nos entretêm, e que, apesar de ter algumas cenas mais “chocantes”, é óptimo para ver em família.
 
 
publicado por Luís Costa às 19:31

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