07
Dez 08
 
!!Contém Spoilers!! 

 

Incrível! Já vi bastantes filmes e nunca um fez com que no momento em que acabou me apetecesse tanto vê-lo no instante seguinte. E foi isso mesmo que fiz, vi-o novamente. Gostei tanto ou mais que da primeira vez. Isso já seria dizer muito sobre o quanto gostei do filme, mas vou tentar escrever de seguida algumas das razões pelas quais fiquei apaixonado por esta obra.

 
Before Sunset é uma sequela de outra pérola – Before Sunrise. O primeiro filme data de 1995 e conta-nos a história de como um americano (Jesse - Ethan Hawke) e uma francesa (Céline - Julie Delpy) se conhecem num comboio e passam uma noite a passear e conversar por Viena. No fim de Sunrise eles separam-se ao nascer do sol e prometem encontrar-se seis meses depois. O filme deixa em aberto se isso acontece ou não. Before Sunset é a resposta a isso.
 
Sunset passa-se dez anos depois destes acontecimentos. Começamos por descobrir que Jesse é agora um escritor de sucesso, por ter escrito um livro baseado na mágica noite com Céline. Jesse está em Paris para publicitar o livro e numa sessão para fãs Céline aparece. Eles começam a falar e descobrimos logo que o tal encontro que devia ter acontecido não aconteceu. Começam então a colocar a conversa em dia, inicialmente com algum constrangimento, mas passados alguns minutos ficam mais à vontade e começam a discutir todo o tipo de assuntos. O problema é que Jesse tem que apanhar o avião e não tem muito tempo. Com o desenrolar da conversa a empatia começa a tornar-se cada vez maior e eles começam a abrir-se um com o outro. Jesse é casado e tem um filho e Céline estã também numa relação. Apesar de inicialmente nenhum querer admitir que as suas relações são uma fachada, acabam por desabafar um com o outro e descobrem que em termos amorosos a vida lhes corre mal, muito porque têm aquela noite magnífica como termo de comparação.
 
Depois vem o fim, mais uma vez ambíguo, e um dos fins que mais gostei no cinema. Com pouco tempo para apanhar o avião, Jesse decide acompanhar Céline a casa. Pede-lhe para que ela lhe cante uma das suas músicas. Sobem até ao seu apartamento (esta subida está filmada de uma forma excelente e a química e a tensão sexual entre eles atinge aqui o máximo, deixando antever o que se ia passar). Já no apartamento, Céline canta uma música sobre uma noite com alguém, que escreveu claramente a pensar em Jesse. Depois, ouvem uma música de Nina Simone e Céline diz a Jesse, de forma bastante imperativa e íntima, que este vai perder o avião. E fade to black, o filme acaba.
 
Este fim tem tudo a ver com o resto do filme. É autêntico, sincero e minimalista. Apesar de nos dar a certeza que eles vão passar a noite juntos, o seu futuro a médio, longo prazo fica incerto. Depois fica ao critério de cada um o que se passará. Como Jesse disse na sessão para fãs existe dois tipos de interpretações, uma para os românticos, outra para os cínicos. Os cínicos pensarão que existem demasiados obstáculos ao amor das personagens, como o casamento e filho de Jesse, o namorado de Céline e o facto de eles só terem lidado um com o outro em curtos períodos de tempo. Os românticos acharão que estas duas pessoas estão destinadas a ficar um com o outro, e que este facto será mais forte que qualquer obstáculo. Estou mais inclinado a crer na segunda opção.
 
Richard Linklater fez neste filme um trabalho imaculado. Era extremamente complicado fazer uma sequela para um filme que parecia ter acabado da forma certa. Mas a verdade é que este filme completa (e supera) o filme anterior. Passaram-se dez anos e é interessante ver a forma como as personagens estão diferentes. Estão mais cínicas, mais maduras, mais seguras de si mas ao mesmo tempo mais desgastadas com a vida. Isso tudo é-nos mostrado quase como se estivéssemos a andar com Jesse e Céline, quase que nos sentimos voyeurs a seguir uma conversa que se vai tornando cada vez mais intima à medida que os sentimentos enterrados vão desabrochando e eles se vão apaixonado novamente.
 
A atenção dada por Linklater, e os próprios actores (bastante genuínos), aos pormenores é visível na forma como as personagens se dispõem, como é notório no nervoso miudinho que sentem por dentro por estarem a conversar, como por vezes partem em direcção um ao outro e depois param repentinamente, pela forma como olham um para outro e pelas próprias coisas que dizem nas conversas que vão tendo. Estes pormenores são constantes ao longo do filme e fazem com que as personagens sejam realmente verdadeiras, e com que nos identifiquemos com muitos aspectos do que são, fazem ou dizem.
 
Para acabar, confesso que, apesar de não ter nem um beijo e de os apaixonados serem sempre tão contidos em declarar o que sentem, este é um dos filmes mais românticos que já vi.
 
Deixo ainda um excerto da letra da música de Nina Simone que toca no fim:
 
“Just in time you found me just in time
Before you came my time was running low
I was lost them losing dice were tossed
My bridges all were crossed nowhere to go
Now you're here now I know just where I'm going
No more doubt or fear I've found my way
Your love came just in time you found me just in time
And changed my lonely nights that lucky day “

 

 

publicado por Luís Costa às 17:46

comentário:
Caro High Fidelity,

O Keyzer Soze’s Place convida o moderador deste blogue a participar na votação dos Óscares de Marketing Cinematográfico, iniciativa que nomeará o melhor em publicidade de Cinema no ano de 2008.

A votação pode ser efectuada em http://sozekeyser.blogspot.com/2008/12/scares-de-marketing-cinematogrfico.html.

Desde já, apresento o meu profundo agradecimento na tua disponibilidade para participar nesta iniciativa.

Cumprimentos cinéfilos!
Sam a 9 de Dezembro de 2008 às 09:46

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