28
Mar 09
 
Muito se fala de como certos temas ou géneros de filme estão saturados e raramente têm algo de novo a oferecer. Os filmes de vampiros são quase tão antigos como o próprio cinema e portanto seria justificável a tal saturação de que falo. Mas de vez em quando aparecem filmes que são uma lufada de ar fresco que afasta o ar pútrido que por vezes sopra nos ventos vindos de Hollywood. Deixa-me Entrar é um desses casos.
 
Esta é uma produção sueca baseada na obra de John Ajvide Lindqvist, um escritor de terror que também escreveu o argumento. É o que se pode chamar um filme de terror romântico e conta-nos a história de como dois jovens inadaptados se começam a aproximar, tornando-se grandes amigos e apaixonados. Seria um argumento comum não fosse a jovem rapariga um vampiro.
 
Inicialmente, o filme parece mais um daqueles que se debruça sobre um adolescente que tem problemas com os colegas na escola. O facto de se interessar bastante por homicídios (colecciona recortes de jornais com noticias de assassinatos) e de ser bastante solitário poderiam dar-nos a entender que íamos assistir a mais uma chacina escolar. Mas é ai que entra a rapariga, que se muda para a casa ao lado do rapaz.
 
O que logo começa por nos cativar é a excelente fotografia. Grande parte do filme decorre ou durante a noite ou em espaços fechados e o frio é uma constante. A forma como esse ambiente escuro e gélido é transposto é incrível e uma das grandes mais-valias da obra pois cria uma atmosfera excelente que quase nos gela os ossos só de olhar. Tudo isto acompanhado de uma banda sonora que, apesar de não se fazer notar muito, é importante nos momentos certos.
 
Aliado à excelente atmosfera está uma narrativa forte que é elevada à quase perfeição pelos extraordinários desempenhos dos dois jovens actores. As melhores cenas do filme são, sem dúvida, quando Oskar e Eli estão juntos. Eli ensina Oskar a ser mais forte e este fá-la sentir-se querida e amada. Sozinhos estão perdidos, acompanhados completam-se.
 
Para além da história de amor, o filme ainda nos oferece as normais cenas de vampirismo, tudo dentro da mitologia comum que estamos habituados. Eli precisa de beber sangue para sobreviver, morre se entrar em contacto com a luz do sol, sobe paredes e precisa ser convidada para entrar em casa de alguém (daí o nome do filme).
 
Deixa-me Entrar é um filme a ver. Não nos faz apanhar sustos atrás de sustos mas envolve-nos numa história original e muito bem arquitectada, sendo, para além disso, subtil e sublime em termos estéticos.
 
publicado por Luís Costa às 11:40

2 comentários:
Relendo sobre os pontos fortes, esta obra se firma como uma joia despretensiosa porém inesquecível.
Gustavo a 28 de Junho de 2009 às 15:37

Gustavo este é sem dúvida um filme que irar figurar em imensos tops de filmes de vampiros de agora em diante.
Luís Costa a 30 de Junho de 2009 às 01:00

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