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Mar 09
 
Notorious é um filme nada infame de Hitchcock. É verdade que não é tão célebre como outras obras do mestre, mas é um dos seus melhores filmes. Para começar, conta com duas das maiores estrelas de sempre do cinema (na altura estavam no pico da sua forma), Cary Grant e Ingrid Bergman. Eram ambos grandes no que faziam e entregam-nos dois excelentes desempenhos.
 
A acção decorre, como Hitchcock fez questão de nos mostrar logo no inicio, um ano e pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Começa com um traidor de origem alemã, mas nacionalidade americana, a ser julgado a 20 anos de cadeia por ter colaborado com os nazis. Este traidor tem uma filha, Alicia Huberman (Bergman), uma pessoa de carácter duvidoso (daí o nome do filme), que gosta de beber e seduzir vários homens com os seus encantos. É na sua personalidade infame que todo o filme se baseia e cria toda a sua tensão.
 
Na noite seguinte ao julgamento, Alicia conhece Devlin (Grant) um agente dos EUA que a seduz com o intuito de convence-la a fazer um trabalho de espiã no Brasil. Com alguma relutância, Alicia acaba por aceitar o desafio como forma de redenção pelos pecados do pai. A tarefa que Alicia tem que desempenhar é seduzir um antigo amigo do seu pai, de forma a obter informação sobre a agenda dos nazis no Brasil. Como seria de esperar, Alicia e Devlin acabam por se apaixonar e irão encontrar vários desafios ao seu amor pelo caminho, criados principalmente pelo trabalho que Alicia tem em mãos.
 
Devlin é um homem céptico e pragmático, que tem medo de dar asas a um amor por uma mulher sobre a qual tem dúvidas. Os seus sentimentos por Alicia são óbvios durante todo o filme, mas é ainda mais óbvio que ele se está a resguardar com medo de sair magoado desta relação. É esta descrença que torna este filme extremamente interessante, pois coloca a protagonista em dificuldades que quase a levam à morte.
 
Outro aspecto que eleva este filme é a forma como foi filmado. Hitchcock tem aqui um dos seus melhores trabalhos a nível técnico. Cada plano é executado de forma bastante original e irrepreensível. Como exemplo desta perfeição está a cena em que Alicia acorda ressacada na manhã seguinte a conhecer Devlin. Existem planos nesta cena que não são comuns na maioria dos filmes, principalmente devido ao seu enquadramento.
 
É incrível como é impossível não gostar de um filme de Hitchcock, não é por nada que lhe chamam o mestre. Para além do espectacular trabalho feito a nível técnico, Hitchcock cria uma história de espiões tensa e original que tem por base uma história de amor muito pouco convencional. É assim mais um dos filmes do mestre que recomendo vivamente.
 

 

 

PS: COLECÇÃO CRITERION: 137

publicado por Luís Costa às 15:16

comentário:
Pois...vi quase todos os filmes de Hitch, e na verdade, gostei de todos.
jose quintela soares a 1 de Abril de 2009 às 17:16

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