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Out 08

 Nota: Crítica publicada no Red Carpet. Revista e Forúm.

 

Wes Anderson é um autor. Ele produz, escreve e realiza os seus filmes e isso nota-se em cada frame de uma obra sua. Existem certos elementos que usa normalmente, elementos esses que funcionam como uma assinatura. Para começar tem um grupo de actores que costuma escolher, como Owen Wilson, Bill Murray e Anjelica Huston. Os temas que apresenta também costumam ser os mesmos, tais como famílias conflituosas e personagens disfuncionais que não se enquadram nos padrões da normalidade. A fotografia dos seus filmes é cheia de cores vivas e utiliza um “mis-en-scene” muito pouco convencional, com cenários extravagantes, dando sempre bastante atenção a pequenos objectos pessoais. Juntando tudo isto a uma mistura de comédia com drama e temos Wes Anderson em todo o seu esplendor. Em “The Darjeeling Limited” Anderson não foge ao seu estilo. Tudo o que o caracteriza continua lá. O que muda agora é o local onde o filme decorre. Os seus filmes anteriores passavam-se todos nos EUA, agora o cenário é a Índia, logo é tudo ainda mais exótico e singular.

“The Darjeeling Limitet” é a história de três irmãos que viajam pela Índia numa jornada espiritual que tem como objectivo reuni-los, fazer com que se conheçam melhor e reencontrar a mãe, que se encontra num convento no sopé dos Himalaias. Francis (Owen Wilson), Peter (Adrien Brody) e Jack (Jason Schwartzman) não se vêem há um ano, desde a morte do seu pai. Estes três irmãos não poderiam ser mais diferentes uns dos outros. Francis, o mais velho, é egocêntrico e autoritário, tentando sempre dizer aos irmãos o que fazer. Anda todo o filme com ligaduras na cabeça, devido a um acidente de moto. Peter é inseguro e apenas concordou com a viagem pois a sua mulher está grávida e ele não sabe o que fazer. Jack é o irmão mais novo e um romântico depressivo. Wes Anderson realizou a curta-metragem “Hotel Chevalier” só com esta personagem. Esta curta-metragem é uma introdução ao filme e passou antes deste na sessão a que assisti. Decorre num hotel em França, onde Jack se encontra com uma mulher (Natalie Portman). Aparentemente esta mulher é a razão pela qual Jack anda sempre depressivo pois partiu-lhe o coração e ele não a consegue esquecer.

Um conjunto de situações peculiares, como o facto de andarem constantemente a tomar drogas indianas, de Jack se envolver com uma empregada e de levarem uma cobra venenosa a bordo, faz com os irmãos sejam expulsos do comboio e desistam do seu objectivo. Mas no caminho de volta para o avião existe uma sucessão de acontecimentos que lhes volta a dar animo para continuar a sua jornada e reencontrar a mãe.

Tecnicamente, este é um filme excelente. Como disse anteriormente, Anderson tem um conjunto de elementos que usa frequentemente e domina, não sendo este filme excepção. A fotografia é bastante estilizada e faz com que as paisagens da Índia e os seus habitantes se tornem quase personagens principais do filme. O uso que faz do “slow-motion” (mais um habitué), nas entradas a correr no comboio, é genial, principalmente o último, em que os três irmãos deixam as malas do pai (que andavam constantemente com eles) para trás, simbolizando um passo em frente para o futuro, deixando o passado para trás.

A banda sonora é excelente e encaixa-se no filme como uma luva. A música é parte integrante do filme, sem ela certas imagens não teriam o impacto pretendido. Os géneros são variados e passam pela música étnica, que se enquadra ao local onde a viagem decorre, ou músicas antigas como a “Where Do You Go To (My Lovely)” de Peter Sarstedt (que Jack parece bastante apreciar quando se sente mais romântico) e várias da banda de rock dos anos 60 – The Kinks.

“The Darjeeling Limited” é mais uma pérola de Anderson. Um “Feel-good movie” que nos leva pela Índia com três irmãos que vamos conhecendo e gostando cada vez mais. É um filme sobre auto-descoberta e respeito mútuo. Uma obra que certamente será apreciada por aqueles que gostaram deste realizador.

 

  



publicado por Luís Costa às 22:01

3 comentários:
Adorei este filme, de resto, como de todos os outros filmes de Wes Anderson que já vi.

Achei a escolha dos 3 actores interessante, pois à partida não conseguia imaginar uma ligação entre eles.

Eu de técnica não percebo nada, mas este filme ficou-me na mente e vou concerteza revê-lo mais vezes. No entanto, continuo a achar "The Royal Tennebaums" o melhor que já vi de Anderson.

**
Izzi a 29 de Outubro de 2008 às 13:55

Só me falta ver o Rushmore e partilho da tua opinião: o meu favorito também é o The Royal Tennebaums.

Tal como eu! Também ainda não vi o Rushmore, acho que é o único que me falta ver. Estamos em sintonia lol

P.S.: já agora, também mudei. Estou noutro local agora é só seguires o link :)
Izzi a 2 de Novembro de 2008 às 03:10

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