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Nov 08
Nota: Crítica publicada no Red Carpet. Revista e Forúm.
 
A premissa deste filme é bastante simples. Angela, uma repórter televisiva, e o seu operador de câmara, estão a filmar uma reportagem sobre a vida nocturna dos bombeiros de Barcelona. Inicialmente, fazem uma apresentação do quartel, até receberem uma chamada de socorro e terem que sair para uma zona de apartamentos. Aparentemente está a acontecer alguma coisa num prédio, mas não se sabe muito bem o quê. Ao chegarem ao local da ocorrência, os habitantes do prédio já estão no hall de entrada e alguns policias já se encontram presentes. Angela sobe com os bombeiros e a policia até um apartamento onde uma senhora de idade se encontra num estado demente, acabando por atacar um dos policias. A partir daqui a situação começa a descambar e piora quando o prédio é isolado pela polícia e agentes de saúde, ficando toda a gente presa no edifício. Este é, portanto, mais um daqueles filmes onde uma data de gente fica retida num qualquer sítio e é confrontada com um perigo de que não se conhece muito bem a origem. Junta-se este cliché à tão em voga “shaky camera” e temos [Rec], o filme espanhol que tanto tem dado que falar.

[Rec] é um filme bastante interessante. Primeiro, porque é feito por “nuestros hermanos“, o que me deixa sempre curioso e ao mesmo tempo a pensar porque é que eles conseguem produzir tantos (e tão diversificados) filmes, enquanto nós não saímos da cepa torta. Depois é um filme espanhol de terror, com “zombies”. Não sei se é ou não inédito, mas isto já é razão, mais que suficiente, para eu querer ver o filme. Outro pormenor interessante é que este é um filme que segue as pisadas do famigerado “The Blair Witch Project”, conseguindo, do meu ponto de vista, ser bastante superior a este ou a qualquer clone do género. Se por vezes o facto da câmara não parar quieta se torna um pouco incomodativo, também é verdade que esta forma de filmar confere mais realismo e entusiasmo ao filme. Sem inovar, consegue mesmo assim atrair-nos e fazer-nos ficar colocados à cadeira do início ao fim.

A história é bastante simples e varia um pouco quanto à abordagem que normalmente se tem relativamente à origem dos zombies, estando, neste caso, um pouco relacionado com a religião. Mas neste tipo de filmes o que realmente importa é a acção e a capacidade que tem para nos assustar. Nestes dois pontos o filme corresponde completamente às expectativas. Mais ou menos a partir dos vinte minutos entra numa espiral de terror e acção que nos deixa agarrados até ao surpreendente desfecho. Uma pequena nota negativa é o facto de existirem alguns “buracos” no argumento, que apesar de explicados, não são muito convincentes. Um exemplo disso é a velocidade de transição para zombie, nuns casos demora horas, noutros meros segundos. Mas como disse anteriormente, este é o tipo de pormenor a que não se deve dar demasiada importância.

É importante referir que todo o elenco do filme esteve bastante bem, conferindo bastante realidade às suas personagens. Seria um crime falar do elenco e não destacar o desempenho de Manuela Velasco (Angela). Para além de nos presentear com a sua beleza, ainda nos oferece uma excelente interpretação, que é um dos pontos fortes do filme.

Sendo um filme que, à partida, não parece exigir grande técnica, possui um conjunto de aspectos que foram bastante bem conseguidos. A maquilhagem estava bastante boa, o que é importante num filme que tem montes de pessoas transformadas em zombies. Um pormenor que faz com que tenhamos este filme em muito boa conta é o facto de ser um filme de terror e não possuir banda sonora. Este facto é impressionante pois, como toda a gente sabe, a musica é extremamente importante para criar o ambiente (e muitas vezes, o susto) nos filmes de terror. Quanto ao facto de ser “mal filmado” é-o, como é óbvio, propositadamente, pois é neste aspecto que assenta a essência do filme.

Assim, [Rec] é um filme que vem numa altura em que a oferta de filmes do seu tipo é imensa, conseguindo, no entanto, a difícil tarefa de diferenciar-se. Com o prémio de melhor filme do Fantasporto 2008 e com um remake americano já a sair, este é um filme que tem dado muito que falar e que deve ser visto, nem que seja por curiosidade. Quanto a mim, recomendo-o a toda a gente mas, principalmente, a quem gosta de ver um bom filme de terror.
 

publicado por Luís Costa às 14:56

2 comentários:
Excelente texto.
Os espanhóis conseguem, em cinema, fazer o que nós não conseguimos, porque...Espanha é um país maior e melhor que Portugal.
Evidentemente que não é só no cinema. Basta ir a qualquer cidade espanhola (começando por Badajoz) para se perceber a diferença...Compare-se Badajoz a Elvas....
O cinema espanhol também tem muito "lixo", mas apresenta uma pleiade de realizadores e actores que só uma potência cinematográfica pode ostentar.
Portugal, à sua dimensão, tem alguma coisa de aproveitável, no meio de muita banalidade.
jose quintela soares a 14 de Novembro de 2008 às 13:32

Obrigado.

Tens toda a razão, mas gostaria de ver surgir em Portugal algum sangue novo e oportunidades para pessoas diferentes darem azo às suas ideias.
Luís Costa a 16 de Novembro de 2008 às 21:35

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