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Nov 08

 
É curioso. Sempre que estou indeciso entre dois filmes e um deles é um film-noir, acabo sempre por ir para o film-noir. Desta vez a indecisão era entre dois filmes que ando há bastante tempo para ver: Forty Guns, de Samuel Fuller e The Killers, de Robert Siodmak. Forty Guns é um western de um realizador que aprecio bastante, mas ficará para outra altura.
 
The Killers é, em parte, uma adaptação do livro de uma história de Ernest Hemingway. Em parte pois só o trecho do filme até onde o protagonista é assassinado é que é adaptado, a restante parte da investigação foi toda escrita original.
 
The Killers começa com dois assassinos a entrarem num restaurante de uma pequena cidade com o intuito de montarem uma armadilha ao homem que pretendem liquidar. Fazem dois empregados do restaurante e um cliente reféns, mas acabam por descobrir que ele não vai aparecer. Acabam por sair do restaurante e o cliente, colega do homem que os assassinos procuram, vai a correr até casa deste com o intuito de o avisar. Ao chegar dá de caras com o tal homem, 'Swede' Andersen (Burt Lancaster), deitado. Avisa-o do perigo que corre, mas ‘Swede’ parece resignado com o seu destino, diz estar farto de fugir. Na cena seguinte acaba por ser morto pelos assassinos. Acontece que a vida de Andersen estava assegurada e portanto a sua morte será investiga por Jim Reardon (Edmund O'Brien), empregado da firma seguradora. Reardon é bastante persistente e não descansa até encontrar as razões pelas quais Anderson foi assassinado. Reardon começa com apenas uma pista, a mulher a quem Anderson deixou o dinheiro do seguro, a partir desta mulher o investigador vai descobrindo factos sobre o passado de Anderson e mais pessoas que lhe podem fornecer informação, até chegar ao fim da sua demanda.
 
Uma das coisas que mais me cativaram neste filme foi o filme ter começado com a morte da personagem principal. A personagem interpretada por Burt Lancaster, a estrela do filme, morre nos primeiros 15/20 minutos. Mas não é por isso que tem menos protagonismo, pois ao longo do filme vai aparecendo em vários flashbacks que vão contando partes do seu passado. Este flashbacks não seguem uma ordem cronológica, o que se pode tornar algo confuso, mas que contribui, na minha opinião, para tornar o filme numa teia de acontecimentos que se vão juntando, formando um puzzle que tem que ser montado tanto pelo espectador como pelo investigador que comanda o caso.
 
Este é um filme negro e como tal as suas personagens são bastante complexas e a sua moral é muitas vezes colocada em causa. Podemos dizer que há três personagens que se destacam no filme, o assassinado ‘Swede’ Anderson, Kitty Collins, a femme-fatale (magnificamente interpretada pela bela Ava Gardner), e Jim Reardon o investigador que faz a história avançar.
 
The Killers tem todos os ingredientes necessários a um bom film-noir. A história está cheia de reviravoltas, traições, é contada através de analepses e as personagens são obscuras, enigmáticas e realistas. Robert Siodmak fez assim um excelente trabalho na realização deste filme, criando uma obra que deve ser vista por apreciadores do género, e cinéfilos no geral.
 

 

publicado por Luís Costa às 22:59

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